Quando comecei a costurar, uma das primeiras peças que fiz foi uma carteira seguindo um tutorial do canal Sewing Times. Ficou um pouco torta, o fecho do bolso central não ficou grande coisa, mas mesmo assim usei-a durante algum tempo. No início, uma das minhas maiores dificuldades era visualizar a posição das várias partes de uma peça. O facto de costurarmos com o avesso para fora para depois desvirar demorou a fazer sentido para mim — e ainda hoje, de vez em quando, engano-me e acabo por costurar do lado errado.
Algum tempo depois, resolvi fazer uma nova carteira para mim. Desta vez já tinha confiança suficiente para personalizar o modelo: queria bolsos para cartões na parte de trás e um bolso extra dentro do compartimento com fecho. Fiz uma peça piloto em papel para perceber a ordem de montagem e, seguindo as notas que tinha escrito, comecei a costurar. Mesmo assim voltei a enganar-me. Foi aí que decidi que, em vez de tomar notas, ia começar a gravar pequenos vídeos dos passos mais complexos dos meus projetos.
Durante algum tempo, gravei vídeos que guardava no computador e consultava sempre que precisava. Mas rapidamente percebi que essa estratégia não era prática: como os vídeos estavam num computador de secretária, não podia levá-lo para a sala de costura, e o disco ficou cheio num instante.
Entretanto, o meu irmão já me tinha dito várias vezes que eu devia criar um canal de YouTube para partilhar os meus projetos DIY, mas eu estava mais focada em fazer do que em filmar. Até que um dia, enquanto estava a forrar umas caixas de cartão com papel de parede para organizar a sala de costura, ele voltou ao assunto. Achei que aquele projeto seria perfeito para experimentar — e assim nasceu o meu canal.
Nos primeiros vídeos nota-se claramente a minha inexperiência, tanto na gravação como na edição. Mas com o tempo fui melhorando, e hoje a edição do vídeo já demora metade do tempo que levava antes. Apesar do trabalho que dá manter o canal, tem valido a pena. Obrigou-me a aprender coisas novas, e é divertido olhar para trás e ver a quantidade de projetos diferentes que já experimentei. Além disso, sempre que tenho dúvidas sobre como fiz alguma coisa, basta rever um dos vídeos antigos.
Quase todos os vídeos mostram a minha primeira tentativa a fazer algo. Muitas vezes não faço ideia do que estou a fazer — vou descobrindo à medida que avanço — e se não filmar, na próxima vez provavelmente já não me vou lembrar. Já aconteceu com projetos simples que achei que nem mereciam vídeo, e mais tarde arrependi-me porque, quando tentei repetir, ou não me lembrava de algum detalhe ou cometia um erro.
Aquela primeira carteira torta acabou por ser desmanchada. Parte dela transformou-se nesta bolsa porta‑telemóvel que uso até hoje. E no fundo, foi ela que me levou a criar um canal e a documentar muito do que faço.
Chega de recordações e vamos à carteira.
As medidas indicadas são sem margem de costura, adicione a margem que preferir e se quiser altere as medidas para o tamanho que preferir, o bom de saber costurar é poder personalizar as peças. As peças que correspondem a forro estão marcadas com um *.
O tecido castanho é um tecido de estofo, é bastante grosso por isso não coloquei estruturador em nenhuma peça, para tecidos mais finos coloque estruturador nos bolsos exteriores e na cobertura.
Aqui fica o vídeo.





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